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Robison Souza — Perito em Psicologia Forense

É seu direito ter um Assistente Técnico acompanhando a perícia — questionando e contestando o laudo com método científico, não com impressão.

Um laudo mal fundamentado pode decidir o seu processo.

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Laudo psicológico desfavorável: o que fazer em 15 dias

Resposta curta: um laudo psicológico desfavorável não é o fim do processo. O juiz não está adstrito ao laudo (CPC, art. 479) e a parte tem 15 dias a partir da intimação para se manifestar e juntar parecer de assistente técnico (art. 477, §1º). Nesse prazo cabe pedir esclarecimentos ao perito, apontar vícios de método e, se necessário, requerer nova perícia (art. 480). O que decide é a qualidade técnica da impugnação — não a indignação com o resultado.

O que fazer nas primeiras 48 horas

  1. Conferir a data da intimação e contar 15 dias úteis (CPC, arts. 219 e 477, §1º). O prazo corre para a manifestação e para o parecer do assistente técnico ao mesmo tempo.
  2. Obter o laudo completo, com anexos, protocolos de instrumentos e registro das entrevistas — não apenas a conclusão. Sem os anexos não há como avaliar o método.
  3. Não reagir com "contra-laudo" emocional. Impugnação que ataca o perito em vez do método costuma ser desconsiderada; a que demonstra o vício, item por item, é lida.
  4. Enviar o material para avaliação técnica inicial (gratuita, resposta em 24 horas úteis): ela diz se há vício aproveitável e qual a via mais eficiente — esclarecimentos, parecer divergente ou nova perícia.

Os vícios que mais sustentam impugnação

A Resolução CFP nº 06/2019 fixa a estrutura obrigatória do laudo psicológico (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise, conclusão e referências — arts. 8º a 11) e exige que cada conclusão decorra de dados descritos. A tabela relaciona os vícios mais frequentes à sua base normativa e ao pedido processual que cabe.

Vício encontrado no laudoBase normativaO que requerer
Conclusão sem descrição do procedimento (quem foi ouvido, quantas vezes, com que instrumentos)Res. CFP 06/2019, arts. 8º, 9º e 11; CPC, art. 473, I a IIIEsclarecimentos (art. 477, §2º); se não sanado, nova perícia (art. 480)
Instrumento fora do SATEPSI ou aplicado fora das normas do manualRes. CFP 09/2018; Res. CFP 31/2022Impugnação do resultado do instrumento; parecer divergente
Avaliação de pessoa que não foi entrevistada ("perfil" do outro genitor por relato de terceiro)Res. CFP 06/2019, art. 12; Res. CFP 08/2010; Código de Ética, art. 1º, "c"Nulidade parcial da conclusão; esclarecimentos
Conclusão sobre fato, culpa ou veracidade ("houve abuso", "a criança não mente")Res. CFP 06/2019, art. 12; Res. Conj. CNJ/CNMP 16/2026, art. 4º, §7ºImpugnação por extrapolação de competência
"Sinais" ou "indicadores" inespecíficos tratados como provaLiteratura da psicologia forense; Res. CFP 06/2019, art. 11 (fundamentação)Parecer técnico demonstrando a inespecificidade
Duplo papel: psicólogo que atende a criança ou a parte atua como peritoRes. CFP 08/2010, art. 5º; CPC, arts. 148 e 467Impedimento/suspeição do perito; nova perícia
Quesitos não respondidos ou respondidos genericamenteCPC, arts. 473, IV, e 477, §2ºEsclarecimentos obrigatórios
Recomendação sobre guarda ou pena sem nexo com os dadosRes. CFP 06/2019, art. 11; CPC, art. 473, §2ºImpugnação da conclusão; parecer divergente

As três vias e quando usar cada uma

ViaQuando usarPrazoResultado esperado
Pedido de esclarecimentos ao peritoLaudo omisso, contraditório ou com quesitos não respondidos15 dias (art. 477, §1º); resposta em 15 dias (§2º)Perito obrigado a expor método; frequentemente revela a fragilidade da conclusão
Parecer técnico divergenteSempre que houver vício de método ou de competência15 dias (art. 477, §1º); admissível como documento depois (art. 435)Fundamento para o juiz decidir contra o laudo (art. 479)
Nova períciaVício insanável (instrumento inválido, impedimento, ausência de método)Após esclarecimentos insuficientesSegunda perícia, sem substituir a primeira (art. 480, §§2º e 3º)

O que o parecer técnico contém

Análise seção por seção do laudo à luz da Resolução CFP 06/2019; verificação de cada instrumento no SATEPSI e de sua aplicação conforme o manual; mapa de quais conclusões têm lastro nos dados descritos e quais não têm; indicação dos quesitos não respondidos; e, quando cabível, subsídios para o pedido de esclarecimentos e para a nova perícia. O parecer não avalia a parte contrária nem a criança, não conclui sobre fatos e não promete resultado — e é exatamente isso que o torna utilizável pelo juiz. Veja contestação de laudo psicológico, o parecer técnico psicológico e erros metodológicos que invalidam o laudo.

Perguntas frequentes

O laudo psicológico é vinculante para o juiz?

Não. O CPC, art. 479, diz que o juiz apreciará a prova pericial indicando os motivos que o levaram a considerar ou deixar de considerar as conclusões do laudo. Um parecer técnico consistente é o que dá ao juiz esses motivos.

Perdi o prazo de 15 dias. Ainda posso contestar?

A manifestação sobre o laudo preclui, mas o parecer técnico pode ser juntado como documento (art. 435) e os vícios podem fundamentar pedido de nova perícia, alegações finais e recurso. A avaliação inicial diz o que ainda cabe no seu caso.

Quanto tempo leva o parecer?

De 7 a 10 dias úteis após o recebimento do laudo completo e dos autos; urgências comprovadas recebem prioridade. A avaliação inicial gratuita sai em até 24 horas úteis.

O assistente técnico pode conversar com o perito?

Pode pedir esclarecimentos por intermédio do juízo (art. 477, §2º) e, nos estudos psicossociais, participar de reunião técnica quando autorizada. Não há contato informal fora dos autos.

Isso vale para laudo psicossocial, relatório do CREAS ou do Conselho Tutelar?

O estudo psicossocial e a perícia psicológica seguem as mesmas regras do CPC. Relatórios da rede de proteção não são laudos periciais: são elementos informativos, sem contraditório, e podem ser analisados tecnicamente da mesma forma.

Preciso estar em São Paulo?

Não. Atuação 100% online em todo o Brasil, com peças prontas para juntada no PJe, eproc ou SAJ. Presencial apenas sob consulta e acordo entre as partes.

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