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Robison Souza — Perito em Psicologia Forense

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Blog · 22/04/2026

Depressão em Processos Judiciais: o Que o Parecer Psicológico Demonstra e Para Quê

Perito em Psicologia Forense Robison Souza · CRP 06/156275
Depressão em Processos Judiciais: o Que o Parecer Psicológico Demonstra e Para Quê

A depressão comparece a processos de todo tipo — benefícios previdenciários, indenizações, guarda, capacidade civil — e em cada um a pergunta técnica é diferente. Parecer psicológico sério não "atesta depressão": demonstra a repercussão funcional do quadro na questão exata que o processo discute.

Uma condição, quatro perguntas processuais

  • Previdenciário: o quadro incapacita para o trabalho habitual? Temporária ou permanentemente?
  • Indenizatório: há nexo entre o evento (assédio, acidente, erro) e o quadro? Preexistência? Concausa?
  • Família: o quadro compromete o cuidado parental hoje — ou está tratado e estável?
  • Civil: afeta a capacidade para atos específicos da vida civil?

A divisão de trabalho que valida o documento

Diagnóstico e tratamento são do médico; a avaliação psicológica documenta funcionamento, repercussão e nexo — com fontes múltiplas, instrumentos válidos (SATEPSI) e estrutura da Resolução CFP 06/2019. Parecer do psicólogo que "diagnostica CID" invade seara alheia e nasce impugnável.

O que fortalece (e o que enfraquece) o parecer

Fortalece: histórico documental (prontuários, afastamentos), colaterais e coerência temporal. Enfraquece: avaliação única na véspera do protocolo, sintomas relatados sem qualquer ancoragem externa e conclusões maiores que os dados — o padrão que peritos oficiais desmontam em uma audiência.

A mesma condição, quatro perguntas processuais diferentes

Contexto processualPergunta técnica centralO que o parecer NÃO deve fazer
PrevidenciárioIncapacita para o trabalho habitual? Por quanto tempo?Diagnosticar CID — isso é do médico
IndenizatórioHá nexo com o evento? Existe concausa ou preexistência?Presumir nexo sem análise documental
FamíliaCompromete o cuidado parental hoje?Concluir incapacidade parental automática pelo diagnóstico
CivilAfeta capacidade para atos específicos?Generalizar incapacidade para todos os atos da vida civil

Uma condição, várias perguntas — com a norma de cada uma

Guarda (CC, art. 1.583, §2º; Lei 13.146, art. 6º): a depressão não afeta por si a capacidade parental — a pergunta é o funcionamento no cuidado (rotina, supervisão, resposta às necessidades da criança), o tratamento e a adesão, os apoios, e a resposta à criança nas fases sintomáticas. Capacidade civil (Lei 13.146, arts. 84 e 85; CPC, art. 753): função por domínio — e a depressão grave como causa reversível de declínio cognitivo aparente (o ‘pseudodemência depressiva’ que os rastreios confundem com demência). Dano psíquico (CC, arts. 186 e 927): a depressão como dano — caracterização funcional, extensão, nexo (condição prévia como concausa), validade. Previdenciário (Lei 8.213, arts. 42 e 59): função em relação à atividade — não o CID. Trabalhista (CLT, arts. 223-B e seguintes; Lei 8.213, art. 20): adoecimento com nexo. Imputabilidade (CP, art. 26): depressão com sintomas psicóticos ao tempo do fato — com o médico. Testamento (CC, art. 1.860): discernimento no ato. Em todas, o diagnóstico é do médico (Lei 12.842) e o funcionamento é do psicólogo — perícia complexa quando ambos importam (CPC, art. 475).

O que fortalece o parecer — e o que o enfraquece

Fortalece: prontuários e receitas (diagnóstico, curso, tratamento, adesão — com datas); avaliação funcional por domínio ou atividade (o que a pessoa faz, não o que sente); instrumentos com parecer no SATEPSI e norma adequada, com validade (há ganho em quase todos os contextos — e a minimização por vergonha é tão frequente quanto o exagero); fontes (família, trabalho, serviço de tratamento); cronologia (início, agravamento, remissão × os eventos do processo); hipóteses alternativas; graduação (leve/moderada/grave; transitória/recorrente/persistente; com/sem impacto em X); e limites declarados. Enfraquece: diagnóstico por psicólogo; ‘depressão’ como conclusão (a favor ou contra); avaliação em episódio agudo sem história; sem validade; sem fontes; nexo pela sequência; condição prévia ignorada ou usada para negar; ‘instabilidade emocional’ como adjetivo; e o parecer que serve a um polo (tudo grave para quem pede; nada para quem contesta).

A divisão de trabalho — e o assistente técnico

Médico (psiquiatra): diagnóstico, gravidade clínica, tratamento, prognóstico clínico, incapacidade médica. Psicólogo: funcionamento (cognitivo, emocional, relacional, laboral, parental) medido e descrito; validade; integração com o objeto jurídico. Assistente social: rede, condições, políticas. Perito judicial: integra e responde ao objeto. Assistente técnico psicólogo: verifica se o laudo mediu função ou presumiu pelo diagnóstico, se a validade foi feita, se a história foi investigada, se o momento da avaliação foi declarado, se a conclusão ficou na competência — sem avaliar ninguém (Res. CFP 08/2010). Para a pessoa com depressão: documentar o tratamento e a adesão (o que protege em qualquer dos processos), descrever o cotidiano sem minimizar nem exagerar, e saber que a depressão tratada raramente decide contra — o que decide é a função. Para quem alega a condição do outro: documentar a conduta e o impacto (não o diagnóstico), e requerer avaliação funcional — o rótulo não prova nada.

Perguntas rápidas

Preciso de psiquiatra E psicólogo? Nos casos relevantes, a dupla documentação é o padrão-ouro.
Depressão tira a guarda? Quadro tratado e estável, não — a avaliação é funcional.
Serve para o INSS? Compõe a prova; a perícia oficial é médica.
Um parecer pode servir para mais de um tipo de processo ao mesmo tempo? Não é recomendado — cada contexto exige pergunta e fundamentação específicas, mesmo partindo da mesma condição de base.
Quadro em remissão ainda pode fundamentar pedido no processo? Pode, se a repercussão histórica for relevante ao objeto da ação — mas a leitura funcional deve refletir o estado atual, não só o passado.
Ter depressão tira a guarda? Não por si (Lei 13.146, art. 6º): o laudo avalia o funcionamento no cuidado, o tratamento e a adesão, os apoios e a resposta à criança nas fases sintomáticas. Depressão tratada raramente decide contra; conduta documentada de negligência, sim.
A depressão pode ser confundida com demência na interdição? Sim — a depressão grave produz declínio cognitivo aparente que os rastreios breves confundem (‘pseudodemência’). O laudo precisa considerar causas reversíveis com o médico antes de concluir por curatela.
O parecer psicológico pode diagnosticar depressão? Não: diagnóstico é ato médico (Lei 12.842). O psicólogo avalia e descreve o funcionamento — e o parecer que ‘diagnostica’ é impugnável por extrapolação de competência.

Autor: Robison de Souza Alves Pereira — Perito em Psicologia Forense, CRP 06/156275, Perito Auxiliar da Justiça · TJSP nº 66.627. Atendimento em todo o Brasil: WhatsApp (12) 99740-2674.

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